No parque, uma mulher sentou-se ao lado de um homem em um banco perto do playground. - Aquele, logo ali, é meu filho. Ela disse, apontando para um pequeno menino usando um suéter vermelho e que deslizava no escorregador. -Um bonito garoto. O homem responde e completou, -Aquela usando vestido branco, pedalandoem sua bicicleta, é minha filha. Então, olhando o relógio, o homem chamou a sua filha. -Melissa, o que você acha de irmos? E Melissa suplicou: -Mais cinco minutos, pai. Por favor. Só mais cinco minutos. O homem concordou e Melissa continuou pedalando sua bicicleta, para alegria de seu coração. Os minutos se passaram e o pai levantou-se e novamente chamou sua filha. -Hora de ir agora? Outra vez Melissa pediu: -Mais cinco minutos, pai. Só mais cinco minutos! O homem sorriu e disse: -Está Certo! -O senhor é certamente um pai muito paciente, - a mulher comentou. O homem sorriu e disse: -O irmão mais velho de Melissa, Tommy, foi morto por um motorista bêbado no ano passado quando montava em sua bicicleta aqui perto. Eu nunca passei muito tempo com Tommy e agora eu daria qualquer coisa por apenas cinco minutos com ele. Eu me prometi não cometer o mesmo erro com Melissa. Ela acha que tem mais cinco minutos para andar de bicicleta. Na verdade, eu é que tenho mais cinco minutos para vê-la brincar.
Em tudo na vida estabelecemos prioridades. Quais são as suas prioridades? Dê, hoje, a alguém que você ama mais cinco minutos de seu tempo!
A moça de uniforme da empresa aérea se aproximou e perguntou: - Já fez o check-in? - Não - respondeu prontamente a pretensa passageira - eu não trabalho com cheque, aceita cartão?
Para quem porventura não esteja a par do acontecimento, refiro-me a três sexagenários alemães que decidiram trocar suas roupas em pleno saguão do aeroporto de Salvador. Detalhes a parte, uma cena nem um pouco agradável de ver. Sem querer menosprezar ninguém, nem tampouco difamar, fossem eles jovens atléticos, talvez arrancassem uns suspiros. A irritação gerada não seria diferente, mas pelo menos haveria quem defendesse a situação.
Sei que três sexagenários nus em pleno aeroporto seja lá de onde for, sugere uma afronta à sociedade, aos transeuntes, aos seres viventes e ditos racionais que por ali passarem. Parece algo indesculpável, injustificável, principalmente por se tratarem de três indivíduos. Há uma desculpa que poderia colar, caso fosse um apenas: “ele está caducando”, poderia ser a desculpa clássica que provocaria a solidariedade de alguns corações bondosos por ali.
Quando interpelados por um cidadão, os velhinhos riram...
Tenho que deixar a reação dos mesmos naquela linha solteira acima, para que fique em destaque. Ao serem presos, alegaram que imaginavam que tal atitude fosse normal aqui no Brasil. Não antes, é claro, de soltarem a mais deslavada desculpa de que não haviam encontrado um banheiro. Assim sugerindo implicitamente que o aeroporto é menos sinalizado que uma rodoviária do interior, cujas placas indicativas muitas vezes se acabam e são esquecidas.
De toda a argumentação a que mais doeu foi a de imaginarem que aqui no Brasil fosse normal arrancar a roupa em público. Fiquei indignado, ofendido, magoado e com vontade de fazer os senhores alemães engolirem suas palavras cínicas. Essa observação ficou maquinando meu cérebro, tentando encontrar uma lógica para tamanho cinismo. O pior é que como diz o ditado: “quem procura acha...!”
Lembrei-me, então, de ter assistido diversas reportagens sobre o turismo sexual no Brasil. Sabe-se que no nordeste essa prática é famosa, internacionalizada e abrange a menoridade. Justiça seja feita, aopesquisar sobre o assunto, veremos que não é somente por aquelas bandas que as coisas funcionam assim. A exploração sexual infantil, inclusive, tornou-se uma pratica comum no país inteiro.
Outro fato ainda mais internacional me ocorreu. Ouve-se ditos a boca grande, e em grande parte das vezes com muito orgulho, sobre as viagens de brasileiras para a Europa. Mulheres que sem qualquer preparo conseguem ganhar quantias milagrosas de dinheiro a curto espaço de tempo. Uma matemática que nenhum economista ou RH consegue explicar. Uma prática que todo mundo sabe, mas faz de conta que não sabe por que parece ser melhor assim.
Sem querer ser complacente com uns e injusto com outros, apenas me detive sobre a cadeira, em frente ao computador, escrevendo essa crônica enquanto penso: “será que os sexagenários alemães não estavam mesmo falando a verdade?”
Um cara como outro qualquer, mas que por destino formou-se em Letras, escreve tanto quanto fala, tem livros publicados, dentre eles o recente "Joyce, a louca! e outros contos".